quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Outono quente

 Outubro e Outono
OUTONO quente traz o diabo no ventre

(ISTO DIZ O DITADO MAS ESPEREMOS QUE NÃO SEJA VERDADE)


terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Inveja


Um dos aspectos mais marcantes e funestos da condição humana é a inveja. Já no teatro diversos autores se servem dela para desencadear dramas e enredos que tornaram as suas peças intemporais. Shakespeare, Molière inventaram personagens que bebem nesta "pequena característica" o vigor das suas personagens! Segundo a Wikipédia, que  consultei, Inveja ou invídia é um sentimento de aversão ao que o outro tem e a própria pessoa não tem. Este sentimento gera o desejo de ter exactamente o que a outra pessoa tem (pode ser tanto coisas materiais como qualidades inerentes ao ser) ou  de tirar essa mesma coisa da pessoa, fazendo com que ela fique sem". Pois foi o que uma pequena viagem, paga pelo bolso de cada um dos seus participantes, gerou na cabeça de um ilustre desconhecido que se indignou por haver pessoas da terceira idade que ainda podem pagar  um passeio turístico. Emails chegaram aos responsáveis pela sua organização que, apesar de não terem pago um cêntimo para a mesma, resolveram cancelar a hipótese de, a custo zero para eles, se poder realizar,  uma vez por ano, uma modesta saída  do país a um grupo de pessoas que só queriam  viajar inseridos num grupo no qual estão todos integrados e com quem convivem no seu dia a dia .Uma pessoa conseguiu fazer mal a 30 e a bem da "moralidade " (sic).
Isto passou-se há um mês mas só agora me apeteceu dar largas há indignação. São estados de alma! Para destino da próxima viagem sugiro a Torre de Belém . Somos todos de Lisboa, é barato, podemos ir na Carris, comer numa tasquinha à beira rio e, de certeza, ninguém se sentirá com inveja de tão prosaico passeio. Um bem haja à inveja .  

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

ALEGORIAS


                          


        

  


É só uma gota que cai sobre outra que a  espera. É, ou parece, cristralina, límpida, colorida, alegre na antecipação do encontro com as outras que a antecederam. Veio do nada?! Lágrima não é concerteza. Transmite sim esperança, travessura e vontade de fazer parte de um todo que se constrói.



Noutro espaço outras seguem-lhe a direcção, cada uma adaptando-se a uma forma, que em si não possuem.Todas diferentes brincando vão fazendo parte de um elemento comum no qual se integram naturalmente. Há beleza e serenidade nestas imagens que nos acalmam e estimulam.





Quando juntas  são uma fonte de vida e a sua grandeza enche-nos a  alma de imensidão, de futuro,vida e quietitude. Juntas alimentam Natureza, corpos e almas.






Mas se se enfurecem lançam-se no desconhecido e transformam-se numa força à qual é dificil resistirDe doces e dóceis passam a furiosas  e demolidoras.





Não somos nós também assim'? Sinto-me mais em sintonia com estas últimas cada vez que ouço notícias..... e tenho que enfrentar os cortes na Saúde, na Educação e na Justiça, pilares fundamentais de uma sociedade em que todos deveríamos ter a esperança de que que, pelo menos, os que vêm depois de nós venham a ter direito a um futuro mais justo  em que valha a pena investir e se possa regressar à pureza de uma simples gota de água.Tenho tantas saudades do tempo em que era gota de água !!!!!




sexta-feira, 7 de outubro de 2011

AVENTURAS POR CONTA DE OUTRÉM

         EU NÃO PLANEEI NADA DISTO
A vida nem sempre é como a planeámos sobretudo quando alguém muito perto de nós tem uma índole aventureira e intrépida. Claro que não sou eu, que gosto do meu "canto", do meu espaço e do meu silêncio. Não planeei gerar alguém  com as características acima mencionadas ....mas a sina que me calhou foi esta! Tive viagens em que andei a ver exposições de flores, canais da cidade, espreitei a vida dos vizinhos.....


        Vendo exposições de flores

Observando a vida dos outros



Olhando a cidade   




Noutros casos as viagens têm sido deslumbrantes mas já me podiam ter causado algum ataque cardíaco.Aqui estávamos perdidas, sem transporte, numa longínqua  e desconhecida aldeia no meio de nenhures, sem perceber patavina do que os seus habitantes diziam . Vá lá que apareceu um que arranhava o inglês. Partimos num velho jeep que se foi enchendo de passageiros de estrada que aproveitaram  a boleia inesperada e se foram "ajeitando" até quase não haver espaço para respirar!...

 

A poucos segundos de me atirar no vazio,vencida mas não convencida, esperava, orando, não cair desamparada no meio do lago.  Entretanto alguém se divertia à minha custa!  Não correu mal mas o susto foi grande e a minha teimosia também. 





No fim valeu a pena apesar dos sustos. O pior é que talvez esteja outra destas aventuras a ser preparada e não sei o que lá vem. E sabem de quem é a culpa?! Segundo a minha filha é minha, só que ainda não percebi porquê. Nunca planeei a minha vida desta forma, limitei-me a ter uma filha! 



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

É fartar vilanagem

É fartar vilanagem



 
Frase conhecida e utilizada, já esta semana, por um conhecido comentador político da nossa televisão referindo-se  aos acontecimentos na nossa "Pérola do Oceano". É uma expressão a que acho particularmente graça e se bem que nos pacotes de café com que comecei a explorar este género de frases feitas, ela não viesse mencionada,  está muito actual e que tem uma enorme abrangência disso ninguém duvida.
De onde apareceu? É  uma frase que tem por base a História.
Cavaleiro vilão, na Idade Média, eram pequenos proprietários   obrigados a ir à guerra (fossado) a cavalo. Eram homens livres, pertencentes aos homens bons -dos concelhos, com representação nas Cortes nobres mas não pertenciam ao grupo social dos nobres. Gozavam de alguns privilégios uns variáveis e outros fixos, como o de estar dispensado de pagar a jugada ( imposto pago ao rei em vinho trigo etc.),e o seu juramento tinha valor de prova em julgamento.
 Pensa-se que foi na Batalha de Alfarrobeira ( junto ao ribeiro do mesmo nome,  em Alverca) que surgiu o episódio que deu origem a esta expressão.  Aqui, no século XV,  defrontaram-se o infante D. Pedro, irmão de D. João I, tio de D. Afonso V e anterior regente do reino e o sobrinho, o então príncipe ( D. Afonso V). Junto a D. Pedro combatia um fiel amigo e companheiro de longa data  D. Álvaro Vaz de Almeida, conde de Avranches. Este, antes de perecer, no limite das suas forças terá gritado  em tom desafiador ( presume-se), perante o número de inimigos que o atacavam e aos quais já não conseguia resistir :" Ora fartar  rapazes,  vingar  vilanagem". O termo vilanagem teria sido usado de forma depreciativa já que esses vilãos não eram combatentes nobres.Morreu à mãos dos que o atacavam, ele e D. Pedro, vencendo a facção palaciana de D. Afonso V , mas a frase do conde ficou para a História e é tão actual que apetece gritar a muita gente do nosso tempo a sua adaptação : " É fartar rapazes, vingar vilanagem" que outros pagarão! 


Batalha de Alfarrobeira

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Molière dixit

Pensamento do dia.


A virtude é o primeiro título de nobreza; eu não presto tanta atenção ao nome desta ou daquela pessoa mas antes aos seus actos.

domingo, 18 de setembro de 2011

Regresso

Regressei de férias com os olhos cheios do mar da minha ilha, os ouvidos descansados de tão pouca televisão que vi e ouvi, com saudades do que por cá deixei e dos que lá ficaram.
 Regressar também significa entrar no mundo do dia a dia com os nossos hábitos, inúmeras coisas para fazer, retomar o papel de avós presentes e mergulhar novamente num quotidiano nem sempre apetecível mas apaziguador como são todos os rituais que construímos ao longo da nossa vida.  Dei por mim a pensar que há dois anos que não sinto aquele recomeço do voltar à escolas, das inúmeras reuniões em que preparávamos a "matéria" e planificávamos  as aulas a dar, a ansiedade por saber os novos horários e as turmas que nos íam " calhar", enfim lembranças que se tornam mais vivas mas mais longínquas à medida que nos afastamos delas.
Também de regresso às notícias houve uma  que me tocou,de alguma forma, pelo insólito que representa para nós  ocidentais. Uma mulher no Paquistão,pertencente à religião cristã, está condenada à morte por ter bebido água de um poço que pertencia a muçulmanas. Tornou aquela água impura e foram as outras companheiras do árduo trabalho de apanhar mirtilos, debaixo de um calor insane, que a acusaram por blasfémia. Que mundo! Fala-se  de violadores, de agressores físicos de mulheres e crianças , de desvio de dinheiro,... grandes desvios de dinheiro, políticos corruptos e de moralidade duvidosa e... nada, continua tudo cantando e rindo sem nada lhes acontecer e, no entanto, uma mulher está presa há cerca de dois anos, aguardando o enforcamento, por ter bebido água de um poço pertencente a uma religião diferente da sua.  
Apetece-me regressar  para o meu cantinho e só voltar quando o mundo estiver melhor, ou seja seria, sem dúvida, uma viagem sem REGRESSO!   Mas esta mulher, como muitas outra merecem que se pense e fale nelas para não adormecermos em cima do que já conquistámos.



Asia BIbi


A família


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Expressões de família

Diz-se que recordar é viver e hoje deu-me para aqui. Pus-me a recordar quais as expressões que mais ouvi usar, em família, e há umas  que , por sempre terem dado mais jeito utilizar em certos contexto,  continuam a ser  muito características nossas.
A mais corrente  de todas é : "Tarde piaste e a Inês está morta", quando em qualquer situação não reagimos  com rapidez, para atingir o que queremos e, quando o fazemos ,  já não vamos a tempo! Ao fim e ao cabo é uma adaptação muito livre da morte de D. Inês de Castro e da vinda de D. Pedro já depois de a terem assassinado!
A mais estranha é a que empregamos se alguém, curioso ou intrometido, nos pergunta onde fomos ou vamos e não queremos responder, ou porque não nos convém ou porque achamos a pergunta  indiscreta. Desde sempre me lembro da minha mãe responder rápida: " Ao baile das Madames Praxedes". Desde cedo me interroguei o que quereria dizer esta expressão e de onde viria pois  não era conhecida por ninguém. Cheguei a pensar ser  que fosse açoriana, dada a nossa origem, mas não. Dediquei-me a pesquisá-la e cheguei à divertida conclusão que se trata de uma peça brasileira que até vem na Internet.   Como foi para à família há mais de cinquenta anos, não consigo entender, é um mistério, mas  é óptima para os curiosos  ficarem sempre desconcertados e não perguntarem nada mais. Convém responder em tom brincalhão para não ofender ninguém!
A mais prática e usada amiúde tem a ver com a clássica pergunta feita por quem  quer saber o preço que as coisas nos custaram, situação com que nos deparamos todos os dias . E a resposta é...... " Dinheiro e palavras!" E pronto. Arruma-se o perguntador e livramo-nos de ter que revelar o que não queremos seja lá porque motivo for.  
A mais sábia que nos faz reflectir que viver e deixar viver cada um à sua maneira, é sem dúvida, a melhor forma de convivência era a que empregava a minha sogra : " Cada um na sua casa e Deus na casa de todos". 
A mais irritante,   " és bom para ires buscar a morte" quando o tempo que alguém de nós leva para executar uma tarefa  é tãoooooooooooooooooo longo que bem podemos esperar sentados.
E pronto, quando há pouco para pensar, surgem estas pequenas diversões da memória, e tantas que todos nós temos , mas que são como  pequenos códigos familiares que nos dão um sinal de pertença.  



           

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O subsídio de Natal

Quando me reformei, ou aposentei,  seja lá o que fôr, pensei que viria para casa descansar e usufruir o resto dos tempo que me restasse para poder realizar, enfim, pequenos sonhos que até ali não tinham sido possíveis de concretizar por falta de tempo. Foi ingénuo da minha parte, hoje sei-o, mas sonhar não custa nada (por enquanto). Vim para casa mesmo na crista da onda. A crise, a malfadada, estava a chegar!
Lá se foram os planos para ir passar um tempo de descanso na minha ilha, as passagens aéreas estão fogo, levar os meus netos comigo nas férias, ir visitar uma filha que está fora há muitos anos, comprar montanhas de livros.......coisas com que sonhei enquanto trabalhava. As medidas de austeridade chegaram e que remédio senão aceitá-las "a bem da nação". Mas chegou a já esperada mas pouco ansiada notícia. Vai ser cortado o subsídio de Natal e, sem ele, o Natal este passa a ser menos Natal. Que me perdoem os que defendem que é uma época de consumismo e que o verdadeiro Natal é sempre quando o homem quiser, que temos que celebrar o nascimento de Jesus etc. etc.  . O facto é que vai ser cortada uma boa fatia e lá se vai a oportunidade  de guardar mais alguns euros,  comprar algum artigo um pouco mais caro que se costuma adquirir para estas alturas, a substituição de alguns  electodomésticos, as obras que estão a ser necessárias, as saídas para arejar um pouco, as prendas para os mais novos, as ajudas aos filhos, sei lá tudo aquilo que, sem exagerar, fazia parte dessa época . Vou pagar o subsídio à minha empregada?! Por lei tenho que o fazer, mas aplico-lhe a percentagem que me retiraram? O Natal dela será também mais difícil e tem filhos pequenos.  
Estou consciente que temos que fazer sacrifícios, mas será que todos os vão fazer? Há quem tenha desaparecido do mapa e viva não sei de quê, outros que continuam a comprar grandes casa, carros, boas férias e eu só queria ter uma velhice descansada e realizar pequenos sonhos. Será que tenho tempo ou os meus sonhos estão penhorados para sempre? 

Resta-me uma consolação! Como nas novas medidas de austeridade não se prevê o imposto sobre os sorrisos, apesar de os nossos estarem cada dia mais amarelos, vou pedir neste Natal que aos meus netos seja concedido o poderem sorrir, como até aqui, e que na Noite de Natal mos possam oferecer com fartura . Para já este é dos poucos sonhos que tinha e que ainda tem possibilidade de se realizar. 



 




domingo, 19 de junho de 2011

Ver- se grego

Vamos ver-nos gregos     


Os gregos estão a ver-se gregos para conseguiram fazer frente ao pagamento do dinheiro que lhes foi emprestado pela   União Europeia,FMI e Banco Central Europeu. Nós já começamos também a sentir- nos  gregos, porque além da dificuldade que temos tido em perceber  o que nos tem acontecido,já sentimos a tempestade que se avizinha e ainda nem começámos a pagar o que nos emprestaram. A única coisa que percebemos é que nos vai sair do bolso e vai doer muito! 
 Contudo este "vermos-nos- nos atrapalhados para ultrapassar uma dificuldade", significado desta expressão, tem pouco a ver com " grego natural da Grécia" . É certo que o grego é uma língua difícil, para não dizer ininteligível para nós, apesar da sua gramática não ser tão complicada como a nossa (pelo menos a do grego antigo que foi a que tive que estudar) !
A língua grega, utilizada, em Roma , com  alguma frequência pelas classes mais cultas, passou para a Idade Média  sobretudo através de documentos escritos, e, era comum, dizer-se quando se tinham que fazer transcrições  ou traduções : " Grecum est, non legitur"- ou seja, é  grego não se percebe.  Como passou para uma frase tão comum é mais difícil de explicar. Alguns artigos fazem referência a que esta expressão estaria ligada ao povo cigano e à presunta ligação com os gregos mas creio que é difícil estabelecer um elo .
O que é certo é que, sabendo-se ou não, o quem nos legou esta frase ela encerra hoje uma verdade indiscutível. Os gregos estão a ver-se gregos para fazer face  aos compromissos internacionais que têm, a revolta social é grande, o governo treme, a contestação na rua sobe e os sacrifícios que se pedem ao povo são insuportáveis. E nós que não somos gregos!? Como nos iremos ver? Gregos, sem dúvida,  para sairmos desta nossa crise que já começou mas que ainda não principiou a apertar de verdade. Resta a esperança de que como somos portugueses e temos a fama de "chicos espertos"  conseguirmos  encontrar uma qualquer  escapatória  e continuarmos com a nossa nacionalidade, apesar de nos podermos "ver gregos " durante uns bons anos!     

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Doenças de Napoleão



          NAPOLEÃO (o doente)

Apontado como o primeiro dos três anti-Cristos, previstos por Nostradamus, nada levaria a supor que este homem , um dos mais conhecidos da História europeia, pudesse ter tido tantas doenças. Fantasia dos seus biógrafos ou realidade o certo é que as doenças apontadas são muitas e todas elas bem dolorosas.
Foi o seu médico quem afirmou que Napoleão foi doente desde os três anos, vítima de uma bexiga atrofiada, um encolhimento do canal urinário,  e toda a vida sofreu de infecções urinárias crónicas, além de uma nefropatia obstrutiva.
Epiléptico afirmavam uns, devido aos ataques de perda de consciência, que lhe eram atribuídos, cardiopatia derivada de um bloqueio cardíaco, defendia o seu clínico.




Quem também olhar para estes quadros em que o grande general monta briosamente os seus cavalos nada nos faria supor o terrível sofrimento que sentia em muitas destas alturas e que só era conhecido do por alguns dos mais íntimos. Napoleão sofria de hemorroidal. Muito humano na verdade!
Contudo não ficam por aqui as suas maleitas.
Fazia crer aos seus soldados que eram invencíveis para os motivar para as vitórias mas a sua mãe queixava-se que, para os seus companheiros, era agressivo e de comportamento difícil.
Quando era jovem era magro e dotado de actividade e energia. Duas a três horas por noite eram suficientes para descansar mas chegou aos quarenta anos completamente modificado. Na batalha de Borodino, em 1812, estava apático e ausente, em Waterloo(1815), ,mostrou-se letárgico e indeciso levando cerca de seis horas até decidir atacar o inimigo que aproveitou para receber reforços. Como se sabe foi uma estrondosa derrota que o levou ao exílio. Que motivaria esse estado!? Só a sua morte o revelou .

Quando  morreu foi autopsiado já que a sua morte levantou várias suspeitas.Envenenamento, cancro, úlcera duodenal, ou tratamento inadequado para uma úlcera? Análises ao cabelo revelaram a presença de arsénico no corpo. Suspeitos, o médico e os ingleses.O médico acabou por ser ilibado, o governador inglês sustentou que Napoleão teria morrido de um cancro que se teria espalhado por todo o corpo, mas a presença do veneno foi alvo de várias explicações. Seria do papel de parede que, estaria impregnado de arsénico , naquela altura usado como pigmento verde? Teria sido a composição do medicamento utilizado como remédio para tratamento da úlcera ou , como sugeriram alguns, tratamento de sífilis uma doença venérea corrente na época? Será que o arsénico era utilizado no tónico para o cabelo que o imperador usava? Assassinado pelos ingleses? Tudo são especulações que continuam a ser debatidas.    
 

Mas o mais curioso que esta autópsia revelou foi que Napoleão sofria de uma anomalia do hipotálamo (glândula que regula a temperatura do corpo, o sono e emoções como o medo e a fúria, além de poder, igualmente, poder regular a produção de hormonas sexuais). Isso explicaria vários pontos:   porque o seu corpo e cara tinham poucos pêlos e eram macios e rosados, como os de uma mulher. O corpo também apresentava  uma espessa camada de gordura,  ancas largas e um ombros estreitos. O cabelo era  escasso, ralo, fino e acetinado (daí o tónico capilar) ,e  as suas características sexuais secundária estavam alteradas, o que podia ter sido a causa da perda do seu desejo sexual . Ficaria também explicado, por este transtorno do hipotálamo que causava desarranjos na tiróide e órgãos sexuais, o seu constante sono que fazia com que dormisse imenso e a qualquer hora do dia  e tivesse súbitos ataque de choro e fúria.
Morreu num dia de tempestade e deixou para a História grandes feitos, combates, mais batalhas ganhas do que perdidas, inumeráveis biografias sobre a sua vida, mas no fim havia uma parte de si muito frágil e sofredora que poucos conhecemos e que nos aproxima mais do homem que foi  e nos faz esquecer aquela dicotomia: foi um vilão ou um herói?


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Decisão difícil


Amor

Superstições nupciais
Desde a conversa sobre as abelhas fiquei preocupada por, aparentemente, ter condenado o meu neto, de seis anos, ao celibato mas fiquei mais descansada quando o mais novo,de cinco, ontem me confidenciou que a "mãe da sua namorada" lhe tinha dado um chupa-chupa.
-Haja Deus- pensei - ao menos vai haver um casamento na família e devo ter mais ou menos vinte anos para o preparar! Mas como vou a um casamento em Sevilha e como dizem "nuestros hermanos : "no creo en las brujas pero que las hay las hay" resolvi começar, desde hoje, a preparar-me para que daqui às tais duas dezenas de anos nada corra mal. Comecei por recorrer às minhas memórias e recordar as superstições que me atormentaram ligadas a este dia e que ainda eram algumas. Quando casei choveu e,segundo dizem,boda molhada é boda abençoada! Não me posso queixar mas apanhei algumas molhas pelo caminho....
Lembro-me, também, que ninguém solteiro devia experimentar a aliança de um casado, porque era sinal de que nunca se casaria (não me posso esquecer de nunca emprestar a aliança ao meu neto)! Basta  um solteirão e tudo por causa de uma simples conversa sobre o sexo das abelhas! Um par de namorados nunca deviam ser padrinhos de um casamento, era proibido por causa da má sorte que lhes traria. Se se estava numa mesa, fosse de café ou em casa, nunca mas nunca nos devíamos sentar no canto da mesma, pois lá vinha a maldição do celibato! Ter os pés varridos, quando os aspiradores ainda eram pouco utilizados era uma sorte cruel.... Saltava- se e gritava-se : " Não me varras os pés que fico solteira".
Hoje pasmo com tanta preocupação mas felizmente tenho aspirador e não corro o risco de varrer os pés ao miúdo!
No altar, durante a cerimónia, devia olhar-se bem para as velas e reparar-se do lado de quem estava as que ardiam menos,do noivo ou da noiva, pois esse seria o primeiro a desaparecer. Confesso que não olhei mas tanto uma como outra me assustavam... de morte...
Não me recordo de mais nenhuma mas fui aprendendo outras. Se a noiva usar pérolas vai evitar prantos futuros , mas também há quem diga que, por cada pérola usada, passará uma noite a chorar (acho melhor levar um colar curto. Algo novo, algo velho e algo azul. Para nós não é uma tradição muito antiga mas tem um simbolismo mais nobre. A peça velha significa o passado e a continuidade, a nova simboliza a vida futura, a esperança, o optimismo, a emprestada a felicidade que deverá ser partilhada por um par já casado e,finalmente, a peça azul é o símbolo da fidelidade.
De tudo isto retiro uma conclusão. Preparo o casamento do mais novo ou fico feliz pela decisão do mais velho? Contudo há um pormenor importante. Quase todas estas superstições estão centradas na noiva, figura central dos casamentos, portanto a dúvida mantém-se. Qual dos dois tem razão?!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Avó as abelhas fazem sexo?


Foi pior a emenda que o soneto
( o que vulgarmente quer dizer que o conserto foi pior que o original)

"-Avó as abelhas fazem sexo?"
Foi com esta pergunta inesperada que o meu neto de seis anos me deixou siderada,tartamuda e calada! Habituada a responder a  crianças mais velhas sobre o tema não estava, contudo, minimamente preparada para ter uma resposta pronta e plausível para esta idade. Com os nossos filhos é mais fácil porque sabemos até onde queremos ir, mas com os filhos dos nossos filhos torna-se mais complicado. Perante o seu ar inquiridor  ensaiei a resposta afirmativa e comecei a explicar suavemente a função reprodutora nos animais, mas as questões foram-se tornado mais concretas e abrangentes e passaram para os seres humanos. Lá me fui aguentando sem nunca deixar nenhuma questão por responder, não querendo, contudo, sobrepor-me às explicações futuras dadas pelos pais. Ouviu-me atentamente  e quando já tinha esgotado as minhas possibilidades de responder sem ser muito explícita mas também lhe estar a mentir, olhou para mim, muito sério, e concluíu com ar grave: 
"-Sabes avó, quando for grande não me quero casar".   
Como disse no início e parafraseando Bocage:"foi pior a emenda que o soneto".
 
As abelhas eo sexo



quinta-feira, 26 de maio de 2011

Expressões do quotidiano e suas explicações (14).

            Olho por olho e dente por dente

Preocupante, é o mínimo que se pode dizer, destas reportagens e notícias, diariamente divulgadas, sobre este sentimento de impunidade quando se tenta fazer justíça pelas nossas próprias mãos.
A esta a justiça de desforra correspondente à ofensa ,ou seja de "olho por olho dente por dente,  chama-se, normalmente, pena de talião, mas longe  vão os tempos em que era aplicada. A justiça baseada neste princípio é um procedimento assustador e que gera mais violência.  

O primeiro corpo de leis, escrito, de que se tem notícia, foi encontrado na Babilónia , no século XVII A.C, o denominado Código de Hammurábi.  Neste código estabelecia-se uma forma muitíssimo severa de tratar os prevaricadores .O criminoso era  punido taliter,  talmente, ou seja, de maneira igual ao dano causado a outrem. . Essa lei permitia evitar que as pessoas fizessem justiça elas mesmas, introduzindo, assim, um início de ordem na sociedade com relação ao tratamento de crimes e delitos, “olho por olho, dente por dente“. Os criminosos eram condenados de maneira igual ao dano causado a outrem, mas de forma desigual já que a punição era dada de acordo com a categoria social do criminoso e da vítima.
Temos hoje leis que permitem castigar quem erra, sem que seja necessário  recorrermos a tais extremos, mas é preciso sermos céleres nessa sua aplicação para descanso e protecção de todos incluindo  quem comete tais acções.



domingo, 22 de maio de 2011

Expressões do quotidiano e suas explicações (13).

Santinho de pau oco


Segundo a minha fonte de informação esta expressão aplica-se a quem se faz de bonzinho mas não é. Com a campanha eleitoral a começar temos por onde escolher a sua aplicação e, a quem servir o carapuço ,que o vista!
A sua origem é, todavia, mais antiga e situa-se no século XVII quando se mandavam de Portugal para o Brasil imagens de santos esculpidas em madeira rústica, com um orifício por dentro, onde se metia moedas, dizem que falsas, para serem enviadas daqui para o Brasil. 
No século XVIII a coroa portuguesa, com o rei D. João V, sempre ávido do precioso metal que lhe permitia investir em grandes projectos, nem sempre de utilidade pública mas que demonstravam , sobretudo ao estrangeiro, a sua riqueza e poder,instituiu um imposto, a quintalada,  sobre o ouro do Brasil. A quinta parte de todo o ouro, ali encontrado ,pertencia ao rei e para isso criaram-se as " Casa de Fundição" para onde o ouro era transportado e transformado em barras, retirando-se a parte que pertencia ao rei. Conta-se que um seringueiro Filipe, que foi um dos líderes de um protesto contra uma destas casas, acabou preso, mandado para Lisboa para ser executado e sujeito a uma morte vil e terrível. Arrastado por quatro cavalos foi morto por meio do garrote, forma usada e, se calhar inventada, em Espanha (onde foi utilizado nas últimas décadas do século passado para executar um chefe etarra) em que o condenado está preso, imóvel com uma argola ao pescoço que era apertada até ele soltar o último suspiro
Para assegurar a cobrança dos impostos reais e evitar o contrabando  do ouro o rei ordenou que este fosse fundido em barras e essas fossem cunhadas com as armas reais e nelas gravados o peso e o ano de fundição mas  os contrabandistas serviam-se destas imagens para esconder o ouro e fugir à fiscalização.   Donos das minas e proprietários de terras também as utilizavam para ocultar as suas riquezas e para as mandar, sobretudo as imagens maiores, para Portugal, como se fossem presentes para os seus parentes. 
As imagens religiosas ocas transformaram-se em  santos de aparência mas de interior duvidoso.




Verdadeira santa de pau oco

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Pausa para o café

Adultérios dos reis portugueses                                                                     



Já lá vão  doze expressões baseadas em pacotes de açúcar e é altura de tomar um café sem pensar neles.É uma luta conseguir um novo e resolvi tomar o meu café descansada sem me preocupar se conheço esta ou aquela aquela expressão. Dediquei-me a olhar para as revistas enquanto saboreava aquele gostinho acre e houve um tema que me chamou a atenção. Nada de política ,de que não percebo nada, mas de que já andamos saturados.Decidi-me por me entreter um pouco com curiosidades do passado. 

Após quase um mês depois do casamento real de Inglaterra e do recordar das relações extra conjugais dos pais do príncipe William (foi isso que vi na capa da revista) lembrei-me que os nossos reis também não foram uns santos. Na escola, antigamente, não se falava nessas coisas porque iam contra a moral e os bons costumes da época, mas hoje esses tabus felizmente passaram. Desde o nosso primeiro rei que quase todos tiveram as suas concubinas, fossem elas senhoras nobres, casada, solteiras, viúvas, criadas, prostitutas, conforme o gosto de cada um, a quem garantiam seu futuro com doações generosas de dinheiro, rendas e herdades. Os filhos bastardos, aceites por todos, recebiam cargos, títulos e uniam-se pelos casamentos a poderosas famílias. D. Afonso IV chegou a preferir o seu filho bastardo, D. Afonso, ao seu sucessor D. Dinis. De  D. Afonso Henriques, o primeiro monarca a ter amantes, a D. Dinis, um rei de grande fogosidade, a D. João V, conhecido pelas suas aventuras amorosas dentro do convento de Odivelas, a D. José e à relação com Teresa de Távora, da qual até a rainha tinha conhecimento, a D. Pedro IV, que se deixou contagiar pelos amores em terras de Vera Cruz, ou a D. Carlos que se interessava mais pelas questões da carne do que pela governação, da história oficial dos reis portugueses e dos seus casamentos de Estado com princesas de toda a Europa, esconde-se uma história de paixões arrebatadoras.
Da primeira dinastia sempre se falou do “namoradeiro” D. Dinis de quem a Rainha Isabel duvidava e com razão, e por isso a lenda lhe atribuiu a pergunta: “Ides vê-las” que teria dado origem ao nome de Odivelas. Não está confirmado mas é sugestivo..... é explicação interessante. D. Afonso III, um rei bígamo, que sendo casado com uma, casou, por razões políticas, mas com autorização do Papa, com outra mulher e ainda teve tempo para ter onze amantes.
 D. Fernando que teve um caso com uma meia-irmã e ele próprio infanticida de um filho bastardo de sua mulher (que não era flor que se cheirasse);D. Sebastião um rei a quem não se conheceu mulher e de que se fala que poderá ter sido vítima de violação, em pequeno, e se insinua ter tendências homossexuais. Dessa fama não se livrou também D. Afonso VI que, por necessidade de anular o seu casamento para a sua mulher poder casar novamente com seu irmão, o nosso D. Pedro II , foi sujeito a um escrutínio humilhante da sua vida sexual, tendo deposto contra a sua virilidade várias mulheres que descreveram a sua impotência perante todos. Narraram com minúcia e depreciação o desenho, tamanho e aparência do seu membro nada viril. Afonso VI, já sob prisão, acabou por assinar a confissão da sua impotência. O seu sucessor e irmão, pelo contrário, desfrutou de incontáveis amantes, freiras, prostitutas, criadas, negras, mulatas, de quem teve descendência farta. A mulher não achava graça nenhuma a estas infidelidades e foi afastando as rivais do paço mas teve que aceitar os filhos delas. Este rei, insaciável, ainda desfrutava da companhia de prostitutas nas suas saídas nocturnas.
D. João V conseguiu ultrapassar todos. Mulherengo inveterado, seria hoje acusado, por muitas mulheres, de assédio sexual. Nenhuma lhe escapava e era….o rei iluminado e déspota. Sobejamente ficaram conhecidos, para a História, os filhos da sua amante mais notável, a Madre Paula, mãe dos seus três filhos bastardos, mas reconhecidos pelo rei, ‘os meninos da Palhavã’ (porque foram educados no palácio onde é hoje a Embaixada de Espanha). Esbanjador das riquezas que então chegavam a Portugal, dava presentes dispendiosos e a esta e à sua descendência, D. João V, proporcionou-lhe bem-estar económico, mandando construir-lhe uma casa faustosa com tectos a talha dourada, camas forradas a lâmina de prata e jarros de prata para urinar. Ciumento de feitio e não gostando de rivais, mandou matar os amantes de uma cigana com quem se relacionou e que, pelos vistos, não se contentava com os prazeres da alcova real. Já na casa dos cinquenta ainda mandava comprar afrodisíacos para manter a centelha que até aí tinha mantido bem acesa.
Seu filho D. José, fez jus ao pai, mas infelizmente um dos seus casos deu origem a um terrível processo que fez uma família, os Távoras, serem condenados a uma morte indigna e horrorosa à qual não foi alheia a acção do Marquês de Pombal. Não reconheceu nenhum filho bastardo, talvez devido ao carácter ciumento de sua mulher D. Isabel que proibiu a presença de actrizes no palácio. De pouco serviu!
Mulheres traidoras?!
Além de D. Leonor Teles, a mais escandalosa foi D. Carlota Joaquina, assustadoramente feia, mas que ficou conhecida por ser ninfomaníaca e se suspeitar que assassinou o rei seu marido que, para não destoar da mulher, foi acusado de ser homossexual.
Segui-se-lhe D. Pedro IV, outro predador sexual , de comportamento libertino e insaciável que não  era esquisito a escolher já que o seu apetite era  insaciáve. “Levava  tudo a eito: casadas, solteiras e viúvas, de qualquer raça e condição social, a dois ou a três se as irmãs se juntassem, criadas e restantes mulheres da casa incluídas. Casado com a princesa austríaca Leopoldina, cujo sofrimento e humilhação eram partilhados pelo  povo brasileiro, D.Pedro tinha o desplante de levar mulher e amante juntas nas representações oficiais. Domitília era a amante, aquela a quem devota o seu mais escaldante amor, não deixando evidentemente de engravidar pelo caminho a sua irmã. Elevou toda a família à nobreza, tornando-a uma das mulheres mais ricas do Brasil, e quando a imperatriz Leopoldina, num último assomo de dignidade, pretende voltar à Áustria “
D. Luís um rei que gostava de escrever cartas eróticas, teve alguns casos extra-conjugais, um deles deu que falar com uma actriz, Rosa Damasceno, Mas qual Lady Di a mulher Maria Pia , pagou-lhe com a mesma moeda.
Finalmente um rei diplomata e que foi assassinado pelos seus patriotas,  D. Carlos. O que começou com um casamento feliz  acabou por ser ultrapassado pela avidez do rei, cujo comportamento chegou a ser comentado pela família no estrangeiro, penso que pela rainha Vitoria. Não era esquisito na escolha e as mulheres do povo não repugnavam à sua real pessoa que as  coleccionava sem pudor.
Foram “frescos” os nossos reis, as mentalidades eram outras e a paciência das suas consortes também. Uma plebeia insurgiu-se e hoje outras plebeias, tornadas futuras rainhas, mostram que não estão dispostas a aturar estas infidelidades reais ! Mudam-se os tempos mudam-se as vozes.
 E com tudo isto bebi dois cafés !




quarta-feira, 18 de maio de 2011

Expressões do quotidiano e suas explicações (12).




Até quando abusarão da nossa paciência?
 


Paciência de Job

Job foi um homem bom, justo e temente a Deus. Tinha 10 filhos, mulher, riquezas, gado, terras, criados e oferecia sacrifícios e oferendas a Deus grato pelas suas bênçãos.  Mas o diabo meteu-se no assunto e lançou um desafio a Deus instando-o para que tirasse tudo ao pobre e aí, sim, iria ver como ele o amaldiçoaria. E Deus fez-lhe a vontade, deixando nas mãos do demónio a destruição de tudo o que Job tinha. A casa foi destruída, os filhos morreram,todo o gado que possuía foi roubado, as colheitas queimadas, os criados assassinados. E Job nada, não maldisse o seu Senhor! O diabo insistiu e cobriu Job de chagas da cabeça aos pés e…nada, nenhuma queixa saiu da sua boca. Era chegada a vez da mulher intervir, farta de tanta desgraça incentivou o marido  a maldizer Deus e….Job resistiu! Vieram os amigos lamentar a sua pouca sorte e  de Job nem uma palavra de desespero. Limitou-se a responder-lhes que Deus tinha os seus próprios caminhos e se estava a ser castigado daquele forma alguma coisa de mal devia ter feito. Deus capitulou perante tanta fé, boa vontade , espírito de sofrimento, resignação, persistência, perseverança, admirando a sua capacidade para aguentar grandes contrariedades e restituiu-lhe com muito maior abundância tudo o que lhe tinha tirado!
Não sei o que me deu hoje para estar a torrar a paciência com esta história assustadora, mas sei que no meu pensamento assomam , em paralelo, pequenas expressões tais como: povo português, eleições, FMI , crise, perda de poder de compra, de casa, de pensões e ordenados cortados, enfim palermices que não lembram ao diabo e que claro que nada têm a ver com a expressão “ter paciência de Job” !
Vá-se lá saber porquê mas, para o diabo, não me ocorre nenhuma ligação ?!


terça-feira, 17 de maio de 2011

Expressões do quotidiano e suas explicações (11).

Enfiar a carapuça


Todos a enfiámos nalgum momento da nossa vida mas ,felizmente, não no momento a que a origem desta expressão se refere
A Inquisição, tribunal religioso  de má memória , tinha métodos terríveis para extrair confissões e condenar os alegados culpados de heresia.
Todo o processo seguido por este tribunal estava regularizado e, num dos seus passos, é que  se insere a expressão de hoje. Não no primeiro,a fase de denúncia,nem na do que se seguia a instrução do processo  mas sim na instrução do sumário, em que se efectuava um minucioso interrogatório individual . A este tribunal os acusados compareciam vestidos com um poncho (o Sambenito) e um chapéu longo e pontiagudo ( carepuza em espanhol), sinal para o tribunal de aceitação da culpa perante o Santo Ofício. Esta atitude de aceitação , de barrete ou carapuça enfiados na cabeça significa ainda, nos nossos dias,assumir uma culpa ou sentir-se atingido por alguma alusão. Para nós termina aqui, mas, para os desgraçados daquele tempo, continuava o suplício.Depois de admoestado três vezes seguidas, para que dissessem a verdade?! , o tribunal deliberava a sentença a submeter o réu .Caso não muito frequente,era o réu ser absolvido, o mais comum era o processo continuar para se concluir pela inocência  ou culpa do mesmo.Chegava-se à altura de serem aplicadas terríveis torturas que faziam culpados ou inocentes confessarem, denunciarem tudo de que eram ou acusados e ainda mais, se fosse preciso.Até a família se denunciava só para parar com o sofrimento. Temos como exemplos dos tormentos utilizados, o queimar os pés, fazendo as pessoas andarem sobre carvão a arder,  a tortura da água em que se enfiava  na boca do acusado um pano para o obrigar a engolir sucessivos jarros de água, a roldana onde se pendurava o preso, pelos pulsos.Depois, a roldana içava-se e  deixava-se caí-lo, de repente, ou, finalmente o chamado suplício do potro que consistia num bastidor, uma armação em ferro,  a que se atava o réu com cordas e o carrasco podia  comprimir, deformando,a sua carne à vontade.Para terminar o processo , a morte,  os autos de fé onde os penitenciados e os condenados iam morrer queimados e que serviam de exemplo e de distracção para quem assistisse a este espectáculo desumano.
 Impressiona saber que uma frase dita tão inúmeras vezes,nas nossas conversas, às vezes com tanta ironia, tem um legado tão forte  mas  da Inquisição estamos livres desde o século XVIII e pelo menos esta já não nos fará enfiar a carapuça- O pior é se outros vierem.....


domingo, 15 de maio de 2011

Expressões do quotidiano e suas explicações (10).

Meter a mão no fogo

Todos nós utilizamos repetidamente  esta expressão e percebemos perfeitamente o que quer dizer e o contexto em que a devemos usar no entanto, dificilmente a conseguimos usar, nos dias que correm, para nos responsabilizarmos pela inocência de alguém e só em casos muito raros o fazemos o que lhe dá um valor acrescido.
 Vamos buscar a sua origem à época medieval, às chamadas "provações" ou ordálios tipo de prova judiciária  usada para determinar a  culpa ou a inocência do acusado por meio da participação de elementos da natureza e cujo resultado era interpretado como um juízo divino. Os ordálios em geral consistiam em testar o acusado no fogo ("prova de fogo") ou na água. O fogo costumava ser reservado para testar acusados de origem nobre, enquanto que a água era mais usada para os plebeus. O acusado era submetido a uma prova dolorosa e, baseados numa superstição desse tempo, denominada   "iudiciu, Dei" que significava o julgamento de Deus e o temor a Deus, tão próprio da Idade Média, fazia-os acreditar que Deus ajudava os homens a resolver essas questões por meio de um "milagre" evitando que os réus inocentes  saíssem queimados ou  se afundassem. Seguindo uma certa lógica acreditava-se que, ao fazer participar Deus,nessa provaos culpados preferiam evitar o sofrimento confessando desde logo as suas culpas e os inocentes não tinham medo de se sujeitar a ela pois  ela ajudava a determinar a sua inocência 
 Na Europa, a  expressão" Meter a mão no fogo"  teve origem na prova do fogo.
A um réu que alegasse inocência envolviam-se as mãos com estopa e cera e fazia-se com que ele andasse, por alguns metros, em frente do juíz e das testemunhas, com uma barra de ferro em brasa.  Com o calor a cera derretia rapidamente e as mãos ficavam atadas. Três dias depois a estopa era retirada e as mãos eram examinadas. Existia a crença que, se o réu fosse inocente, Deus lhe teria curado as mãos durante esses três dias, se existissem marcas das queimaduras era considerado culpado e era condenado imediatamente à morte.
Acho sinceramente que se vivesse naquela altura nunca me atreveria o pôr a mão no fogo nem por mim nem por ninguém e mesmo nos dias de hoje duvido....

Mão no fogo

sábado, 14 de maio de 2011

Expressões do quotidiano e suas explicações (9).


Feito em cima do joelho

Que melhor escolha para hoje do que " feito em cima do joelho" ?! É que esta expressão do quotidiano vai ser mesmo feita à pressa e sem grande "engenho" nem perfeição.
A indústria da telha foi, entre os romanos, muito importante e,aqui na Península Ibérica, uma das mais se desenvolveu com a romanização. O trabalho era contudo realizado por escravos que as faziam com barro utilizando,na sua execução, como molde, a própria coxa. Com todos sabemos as coxas não são todas do mesmo tamanho e diferem de pessoa para pessoa, e as telhas saíam de todos os tamanhos conforme o molde de que resultavam.A sua necessidade inquestionável não primava, porém, pela a perfeição ou regularidade e daí nasceu o termo "feito em cima do joelho", tal e qual como o da expressão escolhida para hoje. 


Telhado romano

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Expressões do quotidiano e suas explicações (8).

 É de se lhe tirar o chapéu

Começou o calor, o sol está a resplandescente, Lisboa tem a sua bela luminosidade muito própria e nada nos convida a tirar o chapéu, mas tenho que o tirar, primeiro que tudo, ao dono do café que frequento, que hoje me disse :"- Oh minha senhora leve os pacotes de açúcar que quiser que não paga mais por isso", e além da simpatia ganhei cinco novas expressões. Daqui lhe "tiro o chapéu" por essa bonita atitude, porque é isso mesmo que esta frase significa : qualquer coisa ou atitude muito boa.  

Foi no reinado de Luís XIV, o Rei Sol, que a França disciplinou as saudações feitas com o chapéu.Este tipo de saudação  vinha do tempo do seu antecessor Luís XIII,  altura em que era  aplicada pelos salamaleques que os cortesãos trocavam inúmeras vezes entre si..Os cumprimentos podiam ser feitos com um toque na aba  da cabeça, erguendo  um pouco o chapéu, sem, contudo o retirar da cabeça, ou tirando-o inteiramente, ou fazendo-o roçar no chão, quase como uma vassoura, tudo dependendo da importância social de quem era saudado. Lembro-me de cenas do filme " Os três Mosqueteiros" onde estas saudações eram galantemente demonstradas. 
Ora Luís XIV, certamente cansado de tantas cortesias, mandou elaborar um manual de etiqueta  onde se regulava que o chapéu só deveria ser retirado em circunstâncias especiais e com movimentos que determinassem o grau de reverência ou seja:  
 Em cerimónias tirava-se o chapéu e inclinava-se ligeiramente a cabeça para frente; e nos momentos de galantaria ou então de respeito, o cidadão deveria tirar o chapéu e dar uma volta com ele por sobre a cabeça, descendo depois o braço até a aba do enfeite tocar o chão.

 Essa novidade chegou a Portugal e ao Brasil no século XVII, trazido da corte francesa talvez no tempo de D. João V (que era um grande admirador e seguidor do rei Sol), e os portugueses passaram a perguntar uns aos outros se era altura de se "tirar o chapéu". Com o passar dos tempos perdeu-se o uso de cobrir a cabeça e esta expressão
 passou a indicar apenas as situações, pessoas ou momentos considerados especiais .

A sua fisionomia não era de "se lhe tirar o chapéu"......



terça-feira, 10 de maio de 2011

Expressões do quotidiano e suas explicações (7).

Para inglês ver

 Não sei se chore ou se ria com esta expressão. Quando falo nas ligações, ao longo da História, entre portugueses e ingleses, sinto sempre uma facada nas costas e vá-se lá saber porquê! Não me dá propriamente vontade de chorar mas sinto-me desconfortável e as dúvidas da Inglaterra  de hoje, se nos apoiam economicamente ou não, deixam-me descrente dessa "amizade" colorida que só existe no papel amarelecido do documento histórico. Por outro lado, a capacidade, bem portuguesa, de fazer leis  ou qualquer outro tipo de coisa só para salvar as aparências, não tendo a mínima intenção de as cumprir, tem o seu lado divertido mas não está isenta de um certo receio, bem presente nos nossos dias! Aparências e promessas feitas "para inglês ver" e que vamos todos pagar.
Talvez esta seja, como muitas outras, uma expressão com várias origens mas a mais comum prende-se com o período liberal . A Inglaterra , um país que tinha explorado a escravidão durante mais de 200 anos, passou a liderar os movimentos antiesclavagistas e, em 1807, proibiu o tráfico de escravos nas suas colónias e pressionou todos os outros países que estavam debaixo da sua alçada para que também o fizessem. Puritanismo é com eles!!.Entre esses, estava o Brasil há poucos anos independente, mas que era economicamente dependente dos ingleses que lideravam a aquisição da produção do café, que estava em plena expansão e também forneciam a maior parte dos produtos manufacturados aos brasileiros , além dos capitais britânicos que iam entrando. Por exigência dos ingleses foi,  em 1830, promulgada uma lei que bania o tráfico negreiro declarando assim livres os escravos que ali chegassem   punindo os importadores. Mas, como o sentimento geral era de que a lei não seria cumprida  e teria começado a circular por todo o lado o comentário de que essa lei  se fizera só "para inglês ver" prevaleceu a ideia que deu origem a esta expressão tão popular e comumente usada  que designa tanto leis que só existem no papel como também qualquer outra coisa feita apenas para preservar as aparências  sem que efectivamente ocorra.



Interior de navio negreiro

A lei era justa e necessária   mas as razões para a sua promulgação teriam sido mais económicas ou humanitárias?! 

domingo, 8 de maio de 2011

Expressões do quotidiano e suas explicações (6).

Não perceber patavina

Tito Lívio

Depois de uns dias fora ,passados não onde "Judas perdeu as botas" mas que me ajudaram a descarregar o "andar com o mundo às costas" não posso afirmar que "não percebi patavina" do que vi em Mérida. Vi o teatro, o circo, o aqueduto, a casa de Mitreo e a ponte, tudo vestígios romanos,numa volta super agradável ao passado, mas também estive no presente vendo a cidade pequena mas bonita, bem arranjada, com lojas engraçadas, consegui beber um café com sabor português (porque o espanhol é uma perfeita tortura para as nossas papilas gustativas) e apaixonei-me por uns brincos,réplicas de ourivesaria  romana, cujo dono era "um espectáculo" de pessoa.
Bom mas hoje é dia da expressão :" não percebi patavina" e como estou a falar de romanos continuo a falar sobre eles e da herança linguística que nos deixaram.
Esta frase é atribuída ao imperador Tito Lívio que, embora  sendo romano tinha uma forma de falar quase inintiligível para os seus contemporâneos , ou seja o seu latim era francamente mau o que dava origem a muitos o não percebessem. Como a sua terra de origem era Patavium ( hoje chamada Pádua, na Itália) tudo o que era dito e não se percebia começou a dizer-se que " não se percebia patavina" .O que não quer dizer que às vezes,  mesmo percebendo não dê  muito jeito empregar esta expressão.....
Não perceber patavina do que o povo  diz
 Outra versão é a de que frades provenientes de Pádua,os Patavinos, que vinham com regularidade a Portugal para terem reuniões, quando falavam na rua com pessoas  os portugueses não percebiam o que eles diziam, mas atendendo a que a Portugal vinham tantos estrangeiros parece-me esta opiniãoum pouco forçado, mas quem sabe?!
Já"não ligar patavinaé diferente. Aqui patavina pode significar uma coisa sem valor, talvez um ceitil.   uma antiga moeda portuguesa que valia muito pouco um sexto do real., ou seja uma quantia insignificante.