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terça-feira, 1 de maio de 2012

A confusão que vai na cabeça dos portugueses

  A Realidade Portuguesa  
   
                    ( usando as nossas expressões)                                    

                                                    


Estamos a atravessar uma altura em que andamos com muitas, demasiadas coisas a atormentar-nos.

Andamos com o "o credo na boca", ou seja, temos sempre medo de alguma coisa de correr perigo.Mas perigo de quê ? De perder o emprego, do dinheiro não chegar, de não nos pagarem ao fim do mês, de não haver o suficiente para a alimentação, de não conseguir pagar a prestação da casa ou do carro,  do medo da situação precária dos filhos, da falta de saúde e das consultas que, se forem no público, nos deixam morrer sem vaga, pela eternidade de tempo que temos que esperar, do custo dos medicamentos,   por sei lá .... são tantos os problemas com que nos debatemos que já nem o Credo nos salva, porque a verdade é que eu já não "Credo" em quase nada. A origem desta expressão  prende-se  ao tempo da Inquisição, altura em que os judeus, que se queriam fazer passar por convertidos, decoravam esta oração para , como possibilidade de escaparem à fogueira, a recitarem em frente dos seus carrascos na esperança de que acreditassem neles. A nós, nem o Credo nos vale ! Nem o crédito.
Andamos à nora  desorientados sem saber para que lado nos havemos de virar, sem saber o que fazer com a nossa vida..
Andamos com a cabeça à razão de juros pois cada vez que abrimos a TV, ouvimos nos noticiários, nos debates, na Assembleia da República ou noutros programas, cada um dizer a sua coisa, ( cada cabeça sua sentença)  desde o Primeiro Ministro até aos seus Ministros. O P.R. diz uma coisa, o Governo apressa-se a dizer outra.
Andamos com a cabeça à toa com a baralhação de números: tudo se vai resolver, o pior é a baralhada dos números que me fazem desacreditar da justiça das reguadas que levei na antiga  instrução primária em que aprendi que 2014 era antes de 2015, mas afinal salta-se do 2013 para o 2016 ( não consigo perceber mesmo nada do que estou a escrever por isso SEI que estou mesmo com a cabeça à toa). A gasolina sobe, sobe, sobe, sobe, e depois desce.

.Meteram-nos na cabeça que tínhamos que rezar para que chovesse, só que se esqueceram que, obedientes como somos, rezámos todos muito e a chuva veio até nos encharcar da cabeça aos pés quando já nos preparávamos para ir a "banhos".
Andamos  todos com a corda ao pescoço porque nos andam a comer as papas na cabeça e, por isso , segundo o que continuamos a ouvir nos media, muitíssimos portugueses andam,  a dar com a cabeça nas paredes. 
Será que não nos passa  pela cabeça que  tudo isto não tem pés nem cabeça, e que, em vez de nos limitarmos a deitar as mãos à cabeça também  não podemos  perder a cabeça , nem nos deixar subir à cabeça  toda esta terrível situação em que nos encontramos !
Temos que exigir a quem nos governa para usar a cabeça, criar condições decentes de vida, emprego, estar à cabeça  do país, equilibrando as medidas económicas com as humanitárias, deixar de vez de nos fazer andar com a cabeça à roda de angústia, preocupação, fome, desigualdades sociais cada vez mais profundas e criando clivagens que só daqui a muito tempo poderão ser ultrapassadas! E será isto possível? Asseguram- nos que sim !!!!! Será verdade ???????







sexta-feira, 6 de abril de 2012

TÁBUA RASA .....?!



FAZER TÁBUA RASA





Mais uma vez os pacotes de café, que já vão na terceira emissão de frases do quotidiano, me fazem reflectir
sobre expressões repetidas no dia a dia sem, no entanto, nos darmos conta do seu significado.
  Dizia o invólucro: Origem da expressão " tábua rasa." - Os romanos, seguidores do filósofo grego Aristóteles, diziam que a alma sem experiência era como uma tábua rasa(a  tábua rasa era uma pequena tábua de cera que não tinha nada escrito ou desenhado.) "
  O que li fez-me pensar que, apesar dos muitos percalços, não senti que a minha alma da fosse uma tábua em branco, pelo contrário, são tantas as recordações de lugares,  afectos, sentimentos, experiências, esperanças e também desalentos que esta imagem, a preto e branco, de vazio,  não existe em mim e  poucos terão essa imagem de si mesmos. Só mesmo de pequenos pormenores da vida podemos fazer tábua rasa e, mesmo esses, deixam vestígios que servem para aprendermos. Recordei pedaços importantes  que coloriram o meu percurso e o enriqueceram.


Viagens inesquecíveis, férias, lugares de lazer  calmos e belíssimos.









                                                   Da minha janela virada para o mar....




 
                                                                                    
                                           Livros de juventude agora relidos  .... ( que a crise é grande !!!)




             


Filmes antigos mas que deixavam marca

                                                                                                         
Gata em telhado de zinco quente
                     A Leste do Paraíso
Recordações de algumas das muitas terras onde vivi..........


Mar, praia e brincadeira
                                                  


Longe do país natal mas perto de casa


África sempre


Açores também
                                                            E Lisboa no fim do percurso
                                                           

                   

  Músicas que fizeram parte de acontecimentos históricos :
      

                                                                The Wall

                                     

E muitos afectos passados e presentes!


terça-feira, 27 de março de 2012

A teia





                             A teia
                         


  Estava sentada a ler quando reparei numa teia que se tinha formado bem perto de mim, tão perto que parecia renda ,e  dei comigo a parar o olhar e a meditar no sentido tão vasto e abrangente de uma palavra tão pequena mas com tantos significados diferentes: teia de ilusões, de afectos e de desenganos, teia  famíliar  mas também  de opiniões falsas, de preconceitos num circulo que faz parte da nossa vida! Podem ser teias aconchegante mas igualmente podem transformar-se em qualquer coisa que nos sufoca, asfixia e nos faz mal. 

  
       
                                      

   Parada a olhar para a aranha que, sem se importar com a minha presença ou atenção, continuava pacientemente a construir o seu circulo, compareia- a com as inúmeras  teias    que, ao longo da vida,  nós fabricamos e,com as outras em que nos envolvemos, nem sempre com a clarividência suficiente para nos apercebermos como é complicado sairmos delas.
  Temos aquelas teias que nos suspendem e aguentam no ar quando parece que o chão vai cair debaixo dos nossos pés e não temos nada a que nos agarrar. São teias quentinhas, fortes que nos servem de cama e conforto nas horas difíceis, uma teia de sorrisos, de palavras, de olhares que  transmitem encorajamento, afeição. Todas elas fazem parte do circulo que tecemos com a nossa família e amigos e aqueles, que não sendo uma coisa nem outra, deixaram um rasto indelével  no nosso caminho. São teias refrescantes, alicerces de um quotidiano, amparo e pilar da nossa existência escoras ,e protecção das nossas fragilidades. 
  As outras que nos enredaram  e manipularam, ao longo da vida, que nos fizeram tomar decisões contrárias aquelas que gostaríamos, que condicionaram o  nosso modo de estar e de ser, são um teste à nossa capacidade de as romper ou alargar de maneira a podermos respirar no meio desses fios que nos enredam.
  O que faz uma simples e inofensiva teia de aranha que, calhou estar instalada no mesmo espaço que eu, brilhando, na sua transparência, num fim de tarde primaveril, enquanto lia e ouvia a risada dos meus netos.  Foram poucos minutos de reflexão sobre ela mas aquele diálogo mudo serenou-me. A teia que construí é bastante resistente, tem alguns pontos fracos mas é como tudo na vida. É preciso saber evitá-los para não cair e continuar, com cautela, a tecer os poucos fios que já me faltam tentando não deixar fios soltos mas construindo os novos com  a esperança que sejam de boa qualidade !  É isso! A qualidade dos fios é que é essencial e, para o conseguir, tenho que utlizar uma das principais "máximas" da minha vida. Tenho que fazer economia de alma (até aqui já chegou a crise)! E, do fundo do coração agradeço à aranha o que me ensinou,com o seu trabalho lento e meticuloso!  

   

quinta-feira, 1 de março de 2012

Downton Abbey - uma série de eleição



Vale a pena ver




A série agora estreada na Sic é uma das melhores e mais encantadoras destes últimos meses. Tive a sorte de a ver num outro canal e foi uma delícia para os sentidos. Aqui sim, usam-se os sentidos. Desempenho de actores, figurinos, decoração, recriação da época tudo nos prende e. nem se sabe por onde começar a abordar os diversos aspectos, em que os enredos amorosos não constituem  os principais factores de interessel. É uma série em que apetece descobrir as várias facetas deste pequeno mundo do início do século XX ,a riqueza dos temas que nela são abordados e a recriação lindíssima.
O mundo paralelo dos criados da casa e dos patrões é um dos mais interessantes. Assistimos a  um quotidiano cheio de regras e de rituais e a uma lenta transformação de mentalidades,. Numa altura em que  ter estatuto também se media pelo número de criados de uma casa, as grandes mansões chegavam a ter  quarenta criados internos, em Downton são delicadamente caracterizados os principais.

  Personagens de uma vida difícil  e dedicada a servir os outros

 
Principais  criados da série


O mordomo


O principal criado da casa era  o mordomo, brilhantemente interpretado por Jim Carter, porte de cavalheiro mas  consciente do seu lugar, orgulhoso dele, defendendo os valores da época tão ou mais que o patrão, conscencioso e respeitado por todos.A governanta, os valetes, as criadas de quarto, a cozinheira com as suas ajudantes,os criados de libré, os lacaios, todo um submundo que vive na mesma casa mas não convive com os proprietários e, contudo, em espaços diferentes sofre das mesmas as ambições, intrigas, amores e desamores, fraquezas e segredos! U um grupo cuja existência era dedicada basicamente a garantir que outro grupo, o dos patrões, encontrasse ao seu alcance tudo o que pudesse desejar  mas  com relações, entre eles,  tão hierarquizadas que frequentemente os patrões desconheciam como as condições em que os seus criados viviam numa outra área da casa,  limitando-se, frequentemente, a só saber os seus nomes.


A "pecadora despedida"
Não que a vida para os criados não era inteiramente má. Tinham um relativo conforto, vestiam-se decentemente, tinham lugar onde dormir todas as noites, comiam bem, o que nessa altura era muito importante. mas a sua situação podia tornar-se precária e vulnerável por vários motivos, desde o interesse excessivo do patrão até qao poderem ser acusados de quase tudo tornando-se os bodes expiatórios perfeitos.O despedimento sobretudo para as mulheres era uma calamidade pois perdiam tudo : emprego,subsistência abrigo e atá perspectivas quanto ao futuro, situações que a série nos oferece permitindo sentir  o quão era frágil a sua situação em tais casos.






A fiel, dedicada Ana
 
  

       
O mundo da cozinheira....



A cozinheira, a ajudante de cozinha e o que parte para a guerra........ 
  

Ambiciosos e intriguistas

                                                                                                                     
Havia muito que fazer e necessários e trabalhavam arduamente. O dia normal, para eles, ia das seis e meia da manhã às dez da noite ou até mais tarde se, na casa, havia algum evento social.





Uma simples refeição para 10 pessoas podia obrigar ao uso e lavagem de, por exemplo, 400 pratos
copos,ou talheres.
Assistimos às cenas em que Daisy, a criada mais jovem da casa e todos os outros se atarefam a acender a lareira,engraxar sapatos,limpar dúzias de candeeiros, prepararem os pequenos almoços antes de os patrões acordarem. É um movimento incessante, silencioso e árduo para que os que dormem tenham tudo preparado mal abram os olhos. À sua espera terão os respectivos criados para os ajudarem a vestir e pentear . Em casas sem canalizações a água para as abluções  matinais era carregada escada acima em recipientes e depois de usada era retirada e transportada noutros recipientes diferentes escada abaixo. Era um trabalho pesado e difícil e que quando se tratava de banhos se tornava hercúleo.  


Limpar  mobílias, polir mesas, limpar as inúmeras habitações da casa, cortinados, pratas, espelhos, mármores, vidros,fazer camas, despejos (levados por uma escada diferente para não se cruzarem com aqueles a quem estes tinham pertencido) cozinhar, servir refeições, lavar a loiça,(algumas panelas chegavam a pesar quase 30 quilos) cozinhar, lavar e marcar roupa, engomá-la , trabalho complicado porque os ferros aqueciam depressa e tinham que ser usados rapidamente e depois trocados por outros acabados de aquecer, não esquecendo que eram utensílios pesados e era preciso pressioná-los com força para a roupa ficar perfeitamente passada. Tudo tinha que ser regularmente polido e limpo.
Algumas vezes, na série, aparece retratada a exaustiva tarefa  de limpar e polir facas e garfos que tinham que se manter brilhantes. Eram lavados, polidos, esfregados com um produto caseiramente preparado, como muitos outros, e ainda antes de guardadas as facas, para não enferrujarem eram untadas com gordura de borrego e embrulhadas em papel pardo. Para serem usadas tinham que ser novamente lavadas.!......

E é este mundo duro na sua realidade mas tratado de forma sensível e humana que nos fascina nesta série que tão bem retrata os dramas pessoais de cada um e a vivência naquele mundo escondido dos grandes salões, mas que palpita e é a base de tudo o que se passa no outro lado desta mansão que ainda tem tanto para descobrir. 



O mordomo a governanta e a criada de quarto

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Chico Buarque

Canções


As canções de Chico Buarque têm sempre uma musicalidade a que não conseguimos ficar indiferentes. Estas são só duas da sua parceria com Milton do Nascimento






segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O chá

                                    Os efeitos do chá




Sou natural de uma terra produtora de chá : o famoso chá Gorreana, produzido pela mais antiga fábrica de chá da Europa, de 1883, situada em S. Miguel- Açores, no concelho da Ribeira Grande. Os métodos utilizados ainda são os antigos e é um deleite para os olhos e para os sentidos uma visita a este pequeno paraíso um pouco "retro".

Verde, preto, vermelho, todos são ali produzidos e podem ser provados " in loco". Para além do sabor há a maravilha da paisagem! 


A vida levou-me para outras terras mas o chá foi sempre "atrás" de mim. Na família bebia-se depois das refeições para fazer bem as digestões, o de poejo era muito popular ou não fosse Alentejo....mais tarde, em Lourenço Marques, era o tempo dos chás dançantes, dos chás associados ao jogo da canasta, o chá que se ia tomar com as mães às casas das amigas enfim, agora é que percebo a quantidade desta bebida que ingeríamos. Contava-se que uma conhecida senhora do nosso meio tinha sido alvo de uma certa rudeza da parte de uma amiga e que mandou entregar a casa dessa mesma amiga uma garrafa de chá....... Foi um acontecimento comentado na altura pela "bofetada de luva branca" que foi desferida. Claro que isto foi há séculos atrás. Fez efeito?! Não sei, mas pergunto-me o que aconteceu ao chá de hoje em dia que, por mais que se tome, e a verdade é que está novamente muito na moda, deve estar adulterado porque hoje sim não faz efeito!  Como D. Catarina de Bragança se deve sentir ofendida por saber que essa bebida que levou de Portugal para a corte de Inglaterra , onde  é um símbolo quase nacional , se tornou num remédio para emagrecer, para a obstipação, para a depressão, para tudo menos para a boa-educação ! "Ó tempore ó mores", gritariam os romanos que eram um pouco rudes porque não tomavam chá (esses ao menos ainda tinham desculpa). Para todos, incluindo para mim, recomendo pois o nosso chá insular, tradicional e que, pelo que me apercebo, quando vou à minha terra, ainda tem as propriedades de antigamente.
    

                                                      

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O 112 da alma


                                  

Quando se chega a uma idade  "respeitável" o conceito de amizade já está bem definido em cada um de nós e é difícil modificá-lo ou adaptá-lo.  À medida que envelhecemos tendemos a privilegiar aqueles que juntos connosco passaram pedaços de vida, que são lembrados com  uma sintonia que nos faz bem ao coração, ou outros que, embora surgindo recentemente,  tenham algo com que nos sentimos identificados.  Para haver amizade é necessário haver "lastro",  laços que unam, confiança, liberdade de sermos o que somos e deixarmos o outro ser que é, mas a base tem que ser sólida  e construída em alicerces fortes. Não se é amigo de alguém sem mais nem menos, toda uma cadeia de pontos em comum tem que ser construída. Ser amigo requer afinidades. A amizade tem que ser testada com o tempo, que nos permite saber se ela conseguirá enfrentar com solidez as tempestades e as desilusões caso contrário, trata-se somente de um conhecimento, talvez por isso, os verdadeiros amigos sejam poucos e os conhecidos muitos. Aceitar o outro nem sempre é fácil, mas exigir-lhe que nos aceite tal como somos é também difícil e um pouco egoísta. Amizade não cobra imposto, não impõe vontade, serve para amparar, para estar presente quando é necessário. A verdadeira amizade é o 112 da alma !  

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Outono quente

 Outubro e Outono
OUTONO quente traz o diabo no ventre

(ISTO DIZ O DITADO MAS ESPEREMOS QUE NÃO SEJA VERDADE)


terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Inveja


Um dos aspectos mais marcantes e funestos da condição humana é a inveja. Já no teatro diversos autores se servem dela para desencadear dramas e enredos que tornaram as suas peças intemporais. Shakespeare, Molière inventaram personagens que bebem nesta "pequena característica" o vigor das suas personagens! Segundo a Wikipédia, que  consultei, Inveja ou invídia é um sentimento de aversão ao que o outro tem e a própria pessoa não tem. Este sentimento gera o desejo de ter exactamente o que a outra pessoa tem (pode ser tanto coisas materiais como qualidades inerentes ao ser) ou  de tirar essa mesma coisa da pessoa, fazendo com que ela fique sem". Pois foi o que uma pequena viagem, paga pelo bolso de cada um dos seus participantes, gerou na cabeça de um ilustre desconhecido que se indignou por haver pessoas da terceira idade que ainda podem pagar  um passeio turístico. Emails chegaram aos responsáveis pela sua organização que, apesar de não terem pago um cêntimo para a mesma, resolveram cancelar a hipótese de, a custo zero para eles, se poder realizar,  uma vez por ano, uma modesta saída  do país a um grupo de pessoas que só queriam  viajar inseridos num grupo no qual estão todos integrados e com quem convivem no seu dia a dia .Uma pessoa conseguiu fazer mal a 30 e a bem da "moralidade " (sic).
Isto passou-se há um mês mas só agora me apeteceu dar largas há indignação. São estados de alma! Para destino da próxima viagem sugiro a Torre de Belém . Somos todos de Lisboa, é barato, podemos ir na Carris, comer numa tasquinha à beira rio e, de certeza, ninguém se sentirá com inveja de tão prosaico passeio. Um bem haja à inveja .  

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

ALEGORIAS


                          


        

  


É só uma gota que cai sobre outra que a  espera. É, ou parece, cristralina, límpida, colorida, alegre na antecipação do encontro com as outras que a antecederam. Veio do nada?! Lágrima não é concerteza. Transmite sim esperança, travessura e vontade de fazer parte de um todo que se constrói.



Noutro espaço outras seguem-lhe a direcção, cada uma adaptando-se a uma forma, que em si não possuem.Todas diferentes brincando vão fazendo parte de um elemento comum no qual se integram naturalmente. Há beleza e serenidade nestas imagens que nos acalmam e estimulam.





Quando juntas  são uma fonte de vida e a sua grandeza enche-nos a  alma de imensidão, de futuro,vida e quietitude. Juntas alimentam Natureza, corpos e almas.






Mas se se enfurecem lançam-se no desconhecido e transformam-se numa força à qual é dificil resistir. De doces e dóceis passam a furiosas  e demolidoras.





Não somos nós também assim'? Sinto-me mais em sintonia com estas últimas cada vez que ouço notícias..... e tenho que enfrentar os cortes na Saúde, na Educação e na Justiça, pilares fundamentais de uma sociedade em que todos deveríamos ter a esperança de que que, pelo menos, os que vêm depois de nós venham a ter direito a um futuro mais justo  em que valha a pena investir e se possa regressar à pureza de uma simples gota de água.Tenho tantas saudades do tempo em que era gota de água !!!!!




sexta-feira, 7 de outubro de 2011

AVENTURAS POR CONTA DE OUTRÉM

         EU NÃO PLANEEI NADA DISTO
A vida nem sempre é como a planeámos sobretudo quando alguém muito perto de nós tem uma índole aventureira e intrépida. Claro que não sou eu, que gosto do meu "canto", do meu espaço e do meu silêncio. Não planeei gerar alguém  com as características acima mencionadas ....mas a sina que me calhou foi esta! Tive viagens em que andei a ver exposições de flores, canais da cidade, espreitei a vida dos vizinhos.....


        Vendo exposições de flores

Observando a vida dos outros



Olhando a cidade   




Noutros casos as viagens têm sido deslumbrantes mas já me podiam ter causado algum ataque cardíaco.Aqui estávamos perdidas, sem transporte, numa longínqua  e desconhecida aldeia no meio de nenhures, sem perceber patavina do que os seus habitantes diziam . Vá lá que apareceu um que arranhava o inglês. Partimos num velho jeep que se foi enchendo de passageiros de estrada que aproveitaram  a boleia inesperada e se foram "ajeitando" até quase não haver espaço para respirar!...

 

A poucos segundos de me atirar no vazio,vencida mas não convencida, esperava, orando, não cair desamparada no meio do lago.  Entretanto alguém se divertia à minha custa!  Não correu mal mas o susto foi grande e a minha teimosia também. 





No fim valeu a pena apesar dos sustos. O pior é que talvez esteja outra destas aventuras a ser preparada e não sei o que lá vem. E sabem de quem é a culpa?! Segundo a minha filha é minha, só que ainda não percebi porquê. Nunca planeei a minha vida desta forma, limitei-me a ter uma filha! 



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

É fartar vilanagem

É fartar vilanagem



 
Frase conhecida e utilizada, já esta semana, por um conhecido comentador político da nossa televisão referindo-se  aos acontecimentos na nossa "Pérola do Oceano". É uma expressão a que acho particularmente graça e se bem que nos pacotes de café com que comecei a explorar este género de frases feitas, ela não viesse mencionada,  está muito actual e que tem uma enorme abrangência disso ninguém duvida.
De onde apareceu? É  uma frase que tem por base a História.
Cavaleiro vilão, na Idade Média, eram pequenos proprietários   obrigados a ir à guerra (fossado) a cavalo. Eram homens livres, pertencentes aos homens bons -dos concelhos, com representação nas Cortes nobres mas não pertenciam ao grupo social dos nobres. Gozavam de alguns privilégios uns variáveis e outros fixos, como o de estar dispensado de pagar a jugada ( imposto pago ao rei em vinho trigo etc.),e o seu juramento tinha valor de prova em julgamento.
 Pensa-se que foi na Batalha de Alfarrobeira ( junto ao ribeiro do mesmo nome,  em Alverca) que surgiu o episódio que deu origem a esta expressão.  Aqui, no século XV,  defrontaram-se o infante D. Pedro, irmão de D. João I, tio de D. Afonso V e anterior regente do reino e o sobrinho, o então príncipe ( D. Afonso V). Junto a D. Pedro combatia um fiel amigo e companheiro de longa data  D. Álvaro Vaz de Almeida, conde de Avranches. Este, antes de perecer, no limite das suas forças terá gritado  em tom desafiador ( presume-se), perante o número de inimigos que o atacavam e aos quais já não conseguia resistir :" Ora fartar  rapazes,  vingar  vilanagem". O termo vilanagem teria sido usado de forma depreciativa já que esses vilãos não eram combatentes nobres.Morreu à mãos dos que o atacavam, ele e D. Pedro, vencendo a facção palaciana de D. Afonso V , mas a frase do conde ficou para a História e é tão actual que apetece gritar a muita gente do nosso tempo a sua adaptação : " É fartar rapazes, vingar vilanagem" que outros pagarão! 


Batalha de Alfarrobeira

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Molière dixit

Pensamento do dia.


A virtude é o primeiro título de nobreza; eu não presto tanta atenção ao nome desta ou daquela pessoa mas antes aos seus actos.

domingo, 18 de setembro de 2011

Regresso

Regressei de férias com os olhos cheios do mar da minha ilha, os ouvidos descansados de tão pouca televisão que vi e ouvi, com saudades do que por cá deixei e dos que lá ficaram.
 Regressar também significa entrar no mundo do dia a dia com os nossos hábitos, inúmeras coisas para fazer, retomar o papel de avós presentes e mergulhar novamente num quotidiano nem sempre apetecível mas apaziguador como são todos os rituais que construímos ao longo da nossa vida.  Dei por mim a pensar que há dois anos que não sinto aquele recomeço do voltar à escolas, das inúmeras reuniões em que preparávamos a "matéria" e planificávamos  as aulas a dar, a ansiedade por saber os novos horários e as turmas que nos íam " calhar", enfim lembranças que se tornam mais vivas mas mais longínquas à medida que nos afastamos delas.
Também de regresso às notícias houve uma  que me tocou,de alguma forma, pelo insólito que representa para nós  ocidentais. Uma mulher no Paquistão,pertencente à religião cristã, está condenada à morte por ter bebido água de um poço que pertencia a muçulmanas. Tornou aquela água impura e foram as outras companheiras do árduo trabalho de apanhar mirtilos, debaixo de um calor insane, que a acusaram por blasfémia. Que mundo! Fala-se  de violadores, de agressores físicos de mulheres e crianças , de desvio de dinheiro,... grandes desvios de dinheiro, políticos corruptos e de moralidade duvidosa e... nada, continua tudo cantando e rindo sem nada lhes acontecer e, no entanto, uma mulher está presa há cerca de dois anos, aguardando o enforcamento, por ter bebido água de um poço pertencente a uma religião diferente da sua.  
Apetece-me regressar  para o meu cantinho e só voltar quando o mundo estiver melhor, ou seja seria, sem dúvida, uma viagem sem REGRESSO!   Mas esta mulher, como muitas outra merecem que se pense e fale nelas para não adormecermos em cima do que já conquistámos.



Asia BIbi


A família


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Expressões de família

Diz-se que recordar é viver e hoje deu-me para aqui. Pus-me a recordar quais as expressões que mais ouvi usar, em família, e há umas  que , por sempre terem dado mais jeito utilizar em certos contexto,  continuam a ser  muito características nossas.
A mais corrente  de todas é : "Tarde piaste e a Inês está morta", quando em qualquer situação não reagimos  com rapidez, para atingir o que queremos e, quando o fazemos ,  já não vamos a tempo! Ao fim e ao cabo é uma adaptação muito livre da morte de D. Inês de Castro e da vinda de D. Pedro já depois de a terem assassinado!
A mais estranha é a que empregamos se alguém, curioso ou intrometido, nos pergunta onde fomos ou vamos e não queremos responder, ou porque não nos convém ou porque achamos a pergunta  indiscreta. Desde sempre me lembro da minha mãe responder rápida: " Ao baile das Madames Praxedes". Desde cedo me interroguei o que quereria dizer esta expressão e de onde viria pois  não era conhecida por ninguém. Cheguei a pensar ser  que fosse açoriana, dada a nossa origem, mas não. Dediquei-me a pesquisá-la e cheguei à divertida conclusão que se trata de uma peça brasileira que até vem na Internet.   Como foi para à família há mais de cinquenta anos, não consigo entender, é um mistério, mas  é óptima para os curiosos  ficarem sempre desconcertados e não perguntarem nada mais. Convém responder em tom brincalhão para não ofender ninguém!
A mais prática e usada amiúde tem a ver com a clássica pergunta feita por quem  quer saber o preço que as coisas nos custaram, situação com que nos deparamos todos os dias . E a resposta é...... " Dinheiro e palavras!" E pronto. Arruma-se o perguntador e livramo-nos de ter que revelar o que não queremos seja lá porque motivo for.  
A mais sábia que nos faz reflectir que viver e deixar viver cada um à sua maneira, é sem dúvida, a melhor forma de convivência era a que empregava a minha sogra : " Cada um na sua casa e Deus na casa de todos". 
A mais irritante,   " és bom para ires buscar a morte" quando o tempo que alguém de nós leva para executar uma tarefa  é tãoooooooooooooooooo longo que bem podemos esperar sentados.
E pronto, quando há pouco para pensar, surgem estas pequenas diversões da memória, e tantas que todos nós temos , mas que são como  pequenos códigos familiares que nos dão um sinal de pertença.  



           

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O subsídio de Natal

Quando me reformei, ou aposentei,  seja lá o que fôr, pensei que viria para casa descansar e usufruir o resto dos tempo que me restasse para poder realizar, enfim, pequenos sonhos que até ali não tinham sido possíveis de concretizar por falta de tempo. Foi ingénuo da minha parte, hoje sei-o, mas sonhar não custa nada (por enquanto). Vim para casa mesmo na crista da onda. A crise, a malfadada, estava a chegar!
Lá se foram os planos para ir passar um tempo de descanso na minha ilha, as passagens aéreas estão fogo, levar os meus netos comigo nas férias, ir visitar uma filha que está fora há muitos anos, comprar montanhas de livros.......coisas com que sonhei enquanto trabalhava. As medidas de austeridade chegaram e que remédio senão aceitá-las "a bem da nação". Mas chegou a já esperada mas pouco ansiada notícia. Vai ser cortado o subsídio de Natal e, sem ele, o Natal este passa a ser menos Natal. Que me perdoem os que defendem que é uma época de consumismo e que o verdadeiro Natal é sempre quando o homem quiser, que temos que celebrar o nascimento de Jesus etc. etc.  . O facto é que vai ser cortada uma boa fatia e lá se vai a oportunidade  de guardar mais alguns euros,  comprar algum artigo um pouco mais caro que se costuma adquirir para estas alturas, a substituição de alguns  electodomésticos, as obras que estão a ser necessárias, as saídas para arejar um pouco, as prendas para os mais novos, as ajudas aos filhos, sei lá tudo aquilo que, sem exagerar, fazia parte dessa época . Vou pagar o subsídio à minha empregada?! Por lei tenho que o fazer, mas aplico-lhe a percentagem que me retiraram? O Natal dela será também mais difícil e tem filhos pequenos.  
Estou consciente que temos que fazer sacrifícios, mas será que todos os vão fazer? Há quem tenha desaparecido do mapa e viva não sei de quê, outros que continuam a comprar grandes casa, carros, boas férias e eu só queria ter uma velhice descansada e realizar pequenos sonhos. Será que tenho tempo ou os meus sonhos estão penhorados para sempre? 

Resta-me uma consolação! Como nas novas medidas de austeridade não se prevê o imposto sobre os sorrisos, apesar de os nossos estarem cada dia mais amarelos, vou pedir neste Natal que aos meus netos seja concedido o poderem sorrir, como até aqui, e que na Noite de Natal mos possam oferecer com fartura . Para já este é dos poucos sonhos que tinha e que ainda tem possibilidade de se realizar.